Airman – Eoin Colfer

Na leva de lançamentos interessantes desse segundo semestre, a Record, com o seu selo para adolescentes (ou Jovens Adultos) surpreendeu trazendo Airman de Eoin (pronuncia-se como Owen) Colfer, o homem por trás da série ‘Artemis Fowl’. Com o título de Aviador - uma tradução bem razoável – o livro já está nas prateleiras virtuais de todo o país.

Eu comprei o livro em inglês no ano passado após recomendação de Alexandre Lancaster. Não saiu caro, foi cerca de R$ 45,00 a edição em hardcover e valeu muito a pena.

Como eu acho um grande erro resenhar uma edição que você não ainda não tem em mãos (apesar de pessoas ditas profissionais na crítica literária terem esse péssimo costume), vou aqui registrar minhas impressões sobre a edição que eu comprei, a 1a edição britânica – a americana saiu pouco depois. Portanto, infelizmente, não poderei comentar sobre a tradução e a adequação da edição brasileira.

Airman Mas a capa é igual -  e muito mais bonita do que a do paperback, na minha humilde e leiga opinião. Pelo menos, eu gostei muito.

Bom, Airman pertence a uma longa tradição de histórias que infelizmente tem perdido força nos últimos anos. Histórias como Os três mosqueteiros ou os filmes de Errol Flynn. Porque, acima de tudo, do steampunk e do especulativo, Airman é um livro – e dos bons – de capa-e-espada, ou como os anglofonos chamam, swashbuckling.

O jovem Connor Broekhart mostrou que o homem nasceu para voar. Ele mesmo veio ao mundo em um balão e enquanto crescia foi se apaixonando pelos céus, pelas nuvens… e pela jovem princesa do reino das Saltee Islands, Isabella.

A vida é boa no próspero reino, localizado perto da costa da Irlanda. Aliás, o lugar é a sintese da utopia vitoriana que tanto aparece na literatura steampunk: os nobres o são de nascimento e espírito, o rei é bondoso, o povo é ordeiro e feliz, o cientista maluco de plantão é respeitado e o vilão da história… bem, ele se chama Bonvillain.

E ele logo coloca as garras de fora, incriminando nosso protagonista em uma complicada trama política e o aprisionando em Little Saltee, uma prisão de onde ninguém consegue escapar.

A partir daí, para saber da trama e como Connor vai sair dessa encrenca, recomendo a leitura. Sim, enfatizo esse ‘recomendo‘, por vários motivos.

Antes de mais nada, é sempre um prazer ler algo destinado a um público jovem que não o trata como idiota. O ‘tatibitatismo’ de alguns autores brasileiros fazem com que muita gente grande torça o nariz para a nossa literatura infanto-juvenil. Não os culpo, até o meu filho de sete anos tem pouca paciência para isso.

Mas Eoin Colfer – e boa parte da literatura de young adults que me tem caido nas mãos – respeita seus jovens leitores, inclusive na linguagem. Claro, não dá para esperar numa literatura para jovens os mesmos contorcionismos estilistico-descritivos que fazem Perdido Street Station do China Mieville uma tortura para seu inglês-de-seis-meses-de-cursinho. Porém, Colfer não poupa na descrição da cela de seu protagonista ou nos dias em que ele passou ali.

Aliás, é nesse pedaço do livro que ficou clara, para mim, a grande referência da obra, que chega quase a ser uma homenagem. Airman, a sua maneira, é uma releitura-citação-homenagem a um dos grandes clássicos da literatura mundial, O conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, pére. Não só o tema da vingança dá o mote da ação do protagonista, como há vários elementos reforçando a sensação, como a prisão, mortes que não são verdadeiras, uma identidade falsa… Registro que isso não é um ponto negativo. Muito pelo contrário. Refrescar temas clássicos da literatura e homenagear livros como esse, que formam o verdadeiro cânone literário mundial, só pode ser bom.

A história é bem amarrada, evitando o efeito arrastado que tenho sentido várias vezes ao ler. Os fatos vão se encadeando no tempo certo e você realmente fica torcendo pelo ‘Batman do século XIX‘. Os personagens são carismáticos na medida certa – mesmo o caricato vilão está no clima do livro.

Tudo o que um bom livro de capa-e-espada tem que ter, está ali. Duelos, ação, fugas, explosões… e um pouco de romance. Tem tudo o que você espera de um livro steampunk também, com invenções antes do tempo, vapor movimentando a economia e o mundo. E claro, um pouco de romance.

O grande ‘porém’ do livro – em minha opinião – é ser um livro essencialmente para garotos. Apesar das personagens femininas estarem bem construídas e serem relevantes para a história, pouco aparecem. O livro trata, por trás do tema da vingança e de como conseguir colocar um homem no céu no século XIX, do processo de transformação de um menino em um homem e por isso pode, por vezer, apelar menos para um público feminino.

Nada que desmereça o todo. Leitura super-recomendada e já estou encomendando o meu para que Miguel, o rapaz de sete anos aqui de casa, possa desfrutar dessa aventura.

Links

Site oficial do autor

Resenha no Guardian

Página da Galera Record




4 Responses to “Airman – Eoin Colfer”

  1.   alexandrelancaster Says:

    Ainda não li a edição brasileira, mas eu vou comprá-la assim mesmo (já tenho essa mesma edição em capa dura britânica). Aviador não é dez. É onze. ;)

  2.   Rocky Says:

    Bem interessante =]

    Mais tarde vou ler o primeiro capítulo, disponibilizado aqui:
    http://www.galerarecord.com.br/upload/catalogo/P__ginas%20de%20AVIADOR-01.pdf

  3.   TwittLink - Your headlines on Twitter Says:

    [...] Tweets about this great post on TwittLink.com [...]

  4.   Romeu Martins Says:

    Opa, Ana, acabei de publicar a minha resenha da edição nacional:

    http://cidadephantastica.blogspot.com/2009/11/o-homem-pode-voar.html

Deixe um comentário